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segunda-feira, 8 de março de 2010

Discussão sobre a entrevista na investigação qualitativa - II

O Fórum para discussão e preparação de um guião comum foi aberto no dia 9 de Dezembro. No post inicial, a Professora deu-nos as seguintes orientações:
Chegados a este ponto temos de confrontar as várias propostas. O objectivo é criar um guião comum de modo a que cada um possa conduzir uma entrevista a um amigo dentro de um quadro geral comum.
Por isso, para além de aspectos de pormenor que deixo à vossa análise, ficam já aqui duas questões para discussão:
1) uma equipa equaciona a possibilidade de as entrevistas serem presenciais; outros dois grupos colocam a hipótese de serem online; o que vamos decidir?
2) um dos guiões coloca a hipótese de preparar a entrevista pensando á partida em questões objectivas, do tipo sim ou não, ou de escolha múltipla; será adequado para uma entrevista semi-estuturada que se insere numa metodologia qualitativa?
Os Guiões, entretanto, já tinham sido disponibilizados pelas várias equipas para análise:
Grupo Viagens

Fiz a minha primeira intervenção a 11 de Dezembro, procurando responder às questões iniciais do debate:
Em relação à primeira questão, parece-me que será uma discussão semelhante àquela que se desenvolveu a propósito dos e-questionários. A diferença aqui residirá no facto de termos de tomar uma decisão, já que as entrevistas irão ser feitas e o grupo / turma deverá ter um procedimento semelhante.
Parece-me que, decorrendo o curso em regime online, se deveria, também, usar esse registo para efectuar as entrevistas. Claro que poderá acontecer algum de nós não ter amigos que usem ou saibam usar a internet e / ou as ferramentas disponíveis para realizar as entrevistas online. Poderá ser um factor a ter em conta e ponderá-lo no guião comum.
Quanto à segunda questão, e de acordo com a literatura lida e analisada, parece-me que uma entrevista semi-estruturada não será compatível com a elaboração de questões objectivas, com itens de resposta fechada.
Neste tipo de entrevista pretende-se que o entrevistado fale sobre determinados assuntos, relacionados entre si, podendo a ordem das questões ser alterada, se se verificar que o diálogo possa ser mais frutífero. Julgo mesmo que, neste contexto, as perguntas feitas, no momento, poderão ser alteradas, se o entrevistador entender que dessa forma poderá recolher informações que possam facilitar a análise de outros dados.

Mais tarde, no dia 14 de Dezembro, em resposta a um colega (Alexandre Monteiro) sobre o tipo de perguntas, escrevi:

...todos os grupos utilizam perguntas objectivas, do tipo sim ou não, o que consequentemente se ínclui na escolha múltipla, senão vejamos:...
Realmente, aparentemente, parece-me que poderíamos considerar essas perguntas objectivas. E se à frente delas estivessem dois espaços em branco com SIM e NÃO para resposta, não teria qualquer dúvida em afirma que se tratavam de itens objectivos. No entanto, no nosso caso estamos a falar de perguntas que vão ser feitas a alguém em sincronia, portanto, quer pela escrita, no caso de se usar a escrita, quer pela voz, quer pela expressão facial (se for presencial) teremos, certamente, oportunidade de prolongar essa resposta que num questionário se traduziria apenas por uma cruz no SIM ou no NÃO.
Concordo plenamente consigo, quando escreve: o que realmente interessa é que no fim da entrevista todos os temas propostos tenham sido cobertos (Wilson, 1985), independentemente da ordem...
Já não me parece que a forma e o tipo das questões colocadas sejam irrelevantes.
Julgo que, pelo que interpretei das leituras que fiz, que o que distingue a entrevista semi-estruturada da estruturada e não estruturada, não será tanto a forma ou o tipo de questões, mas residirá mais sobre quem tem o controlo da entrevista.
No caso de uma entrevista estruturada, claramente, é o entrevistador quem 'manda'. Pelo contrário, na entrevista não estruturada, o entrevistado controla a situação, isto é, é-lhe dada a liberdade de discorrer sobre um determinado assunto, ocorrendo a entrevista numa espécie de conversa informal.
A semi-estruturada será aquela em que o papel do entrevistador não será tão controlador como na estruturada, mas tem já, dentro de um tema aglutinador, vários assuntos que quer que o entrevistado desenvolva e, por isso, irá orientar o entrevistado nesse sentido.
Aproveito este raciocínio para registar que, depois de (re)ler todas as propostas de guiões, incluindo a do grupo a que pertenço, me parece que de uma forma geral e, no que respeita, concretamente, os exemplos de perguntas, estaremos a ser um pouco rígidos de mais...pensativo

A discussão foi bastante participada - 58 respostas. Foi criado na Plataforma, pela Professora, um wiki só para o guião comum da entrevista, cuja construção se iniciou no dia 14 de Dezembro, por iniciativa do colega Paulo Simões. E depois de discutidos vários aspectos, o wiki ficou concluído a 21 de Dezembro, resultando num documento que traduz  a leitura das várias propostas das equipas feita pelo Grupo/Turma. Participei quer na discussão quer na construção do Guião comum e, novamente, porque houve, tal como na construção do Guião em grupo, um trabalho coeso e de cariz colaborativo, não me parece relevante destacar qualquer das minhas intervenções, uma vez que o que se pretendo sublinhar é, precisamente, o carácter colaborativo do trabalho desenvolvido. Reuni as várias páginas do wiki num documento que disponibilizei aqui [http://www.scribd.com/doc/28056032/Guiao-da-Entrevista-Wiki-Turma].
A 7ª parte – realização de e-entrevistas no terreno - desta actividade teve início a 3 de Janeiro com a abertura de nova raiz no Fórum de discussão das entrevistas. O prazo acordado para a conclusão desta tarefa foi cerca de uma semana.
A minha entrevista foi realizada no messenger a um amigo que conheci pela Internet através do meu blog pessoal e demorou duas horas.  Procedi à transcrição da entrevista para um documento que publiquei aqui [http://www.scribd.com/doc/28057361/Transcricao-da-Entrevista].

Discussão sobre a entrevista na investigação qualitativa - I


Este Fórum de discussão foi aberto, no âmbito do estudo da entrevista na investigação qualitativa, prevendo-se a discussão dos guiões produzidos por cada equipa e a discussão conjunta sobre os mesmos de modo a conseguir-se um guião comum. Cumprir-se-iam, assim, as 5ª e 6ª partes das orientações previstas para a actividade 2 - A recolha de dados.
Irei apresentar a análise da participação neste Fórum de discussão em duas partes. Nesta primeira parte, farei referência à discussão no Fórum da equipa a que pertencia (Descobrimentos) sobre a entrevista e construção do Guião da equipa.
Numa segunda parte, farei referência à discussão sobre as várias propostas e construção do Guião da Turma.

Num primeiro momento, concretização da 5ª parte da actividade os vários grupos teriam de produzir em equipa um guião para uma entrevista. Esse guião deveria ser colocado em fórum e discutido neste, de modo a produzir-se um guião consensual que servisse de base à realização de entrevistas. A entrevista seria aplicada, numa situação hipotética em que estivéssemos a fazer um estudo de caso sobre a forma como  os amigos dos estudantes deste mestrado percepcionariam o ensino a distância.
Recorrer-se-ia a entrevistas semi-estruturadas para entrevistar um amigo de cada um de nós e só poderiam pertencer ao estudo amigos que nunca tivessem tido experiências de ensino a distância.
Foram-nos sugeridas 3 questões de investigação:
1) O que pensam pessoas que nunca tiveram experiência de ensino a distância sobre esta modalidade de ensino?
2) Como é que valorizam e/ou  desvalorizam o ensino a distância?
3) Como é que sentem o facto de ser amigo de um estudante de mestrado em Ensino a Distância?
Na discussão do Fórum da equipa, os colegas Luís Miguel Rodrigues e Joaquim Lopes partilharam com os restantes elementos o resultado das leituras que tinham feito, tendo sido esse produto também publicado no wiki da equipa e discutiu-se sobre se na situação de se entrevistarem alunos, as entrevistas deveriam ser feitas pelo próprio professor.
Deixo registo da minha última participação nesta raiz da discussão:
Segunda, 7 Dezembro 2009, 02:26
Olá, Joaquim
A Rosalina diz que poderá ser uma vantagem o entrevistador conhecer o entrevistado e tem a sua lógica
Ora, eu digo isto fruto das leituras que fiz, Joaquim. Se nos autores lidos , se afirma que se deve criar um ambiente de empatia entre entrevistado entrevistador, julgo que a conclusão a que cheguei fará sentido.
Claro que a questão apontada pelo Luís também me parece pertinente. Mas, por exemplo, não sei se concordo muito com a sugestão de entrevistas em grupo. Por um lado poderá atenuará a relação de poder professor / aluno, mas, por outro, certamente, que os alunos que tivessem mais à vontade a falar, se iria destacar... E, nestas situações de grupo, há sempre aqueles que optam, por timidez ou outros factores, não participar.
Tudo dependeria dos objectivos da entrevista. De qualquer forma, um trabalho deste tipo nunca poderia ser obrigatório e, por isso, sendo a situação explicada aos alunos, parece-me que a situação poderia ser desbloqueda. Mas lá está, estamos a falar de que idades. Sim, a situação não é fácil...sorriso

Na discussão para a construção do Guião, não me parece relevante destacar qualquer das minhas intervenções, porque o trabalho desenvolvido traduz um trabalho de equipa coeso e de clara cariz colaborativa. Por isso optei por fazer cópia de toda a discussão e publicá-la aqui  [http://www.scribd.com/doc/28035588/Discussao-sobre-construcao-do-Guiao] de forma a ilustrar o que acabo de afirmar. O resultado final do nosso trabalho pode ser lido aqui [http://www.scribd.com/doc/28036211/Guiao-de-entrevista-Descobrimentos] e foi disponibilizado, para discussão, no Fórum aberto para o efeito, no dia 9 de Dezembro de 2009.

Discussão sobre métodos e técnicas quantitativas de recolha de dados - Parte II

Na outra raiz da discussão sobre métodos e técnicas quantitativas de recolha de dados, a discussão teve início, também, a 16 de Novembro de 2009. Na abertura do espaço, a Professora colocou-nos três questões:
1) o e-investigador utiliza questionários endereçados pelo correio? Entregues para preenchimento presencial?

2) vantagens e desvantagens da utilização de questionátios online versus questionários "presenciais" ou em papel?

2)Questionários online: que ferramentas?
Fiz a minha primeira intervenção no dia 18 de Novembro de 2009 e debrucei-me sobre a questão de fiabilidade da utilização de e-questionários:

Talvez fugindo um pouco às questões em discussão, ou talvez não, vou começar a minha intervenção por citar um excerto do trabalho referido pelo Luís e que explorei (obrigada Luís, pela partilha no MICO grande sorriso):
Uma das instituições, para quem tinha sido enviado o inquérito por e-mail, respondeu-nos referindo: “Lamentamos informar mas o documento que enviou por e-mail não foi reconhecido. Deverá enviar o mesmo através dos correios e devidamente assinado. (…)” (pág. 10)
Este episódio é referido pelos autores como sendo uma curiosidade, no capítulo dedicado à 2. Metodologia de recolha de dados on-line.
Quanto li esta curiosidade, lembrei-me de ter lido sobre a necessidade de autenticação da assinatura no papel, no artigo Ethical Issues in Qualitative E-Learning Research (Heather Kanuka and Terry Anderson, 2007). Escrevem os autores, a propósito da autenticidade e consentimento:
In some cases consent is implied by the completion of a survey or questionnaire. Normally a signatureauthenticates consent; however, many potential research participants do not use digital signature technologies that insure encryption and authentication. Thus, education researchers who are collecting e-mails or Web forms, in a technical sense, are more likely to be subject to “erasure and corruption through power drops, operator error, etc.” (Ess, 2002, p. 6) as well as identity deception (Frankel & Siang, 1999). Bruckman (2002) recommended that electronic consent should be obtained only if “the subjects are 18 years of age or older. The onlineconsent form steps people through each sub-element, one at a time. The risks to subjects are low. Otherwise, consent must be obtained with a signature on paper
Portanto, se, numa primeira leitura, me parece quase óbvio que um e-investigador não utilize questionários endereçados pelo correio e / ou entregues para preenchimento presencial, depois de reflectir sobre questões como o consentimento dos participantes e como garantir a confidencialidade e anonimato em questionários feitos online, pergunto-me se a utilização de e-questionários nos garante a fiabilidade do processo de recolha de dados.

No dia seguinte, 19 de Novembro de 2009, voltei a participar, acrescentando ao conteúdo da entrada anterior mais elementos, no sentido de procurar discutir sobre a fiabilidade do processo de recolha de dados pelo uso de e-questionários: 
Na referência que já aqui fiz algumas vezes, Manuela Hill e Andrew Hill (2008), no capítulo 15, a propósito do Relatório sobre a Investigação, e em particular na parte do relatório que refere os métodos de investigação, no que respeita o questionário, podemos ler o seguinte:
São frequentes as pessoas que não confiam muito nas conclusões baseadas em respostas dadas a um questionário e, portanto, nesta secção do trabalho, o autor tem de persuadir o leitor de que o seu questionário foi construído de modo que o leitor possa confiar nos resultados e nas conclusões obtidas por aplicação do mesmo (p. 350).
Mais à frente, e depois de terem sido indicados alguns pontos que devem ser incluídos a fim de explicar como se desenvolveu o questionário, quando referem a recolha de dados, os autores indicam seis aspectos que deverão ser incluídos na descrição desse processo.
Por exemplo, a forma como os respondentes receberam o questionário, a indicação da forma como o questionário foi respondido, se o questionário foi respondido na presença de um intermediário, a indicação de existência ou não de uma relação de dependência entre intermediário e o respondente, quais as precauções tomadas para assegurar, na mente do respondente, a natureza anónima das respostas, caso se trate de um questionário anónimo.
Não indico todos os aspectos, uma vez que me parece que estes serão suficientes para formular a minha dúvida.
Será que, usando um questionário online, temos ferramentas que nos permitam garantir uma resposta a estas questões / aspectos?
Sei que, de certa forma, retomo a linha de pensamento que já aqui deixei registada na minha anterior participação, mas gostava de discutir convosco esta questão, pois sozinha não estou a ser capaz de lhe responder.
Neste ponto da discussão, o colega Joaquim Lopes referiu que num questionário online não é possível sabermos a forma como o inquérito foi respondido e citando Cohen et al (2007), quanto ao anonimato, sugere que se use Direct respondents to a web site em vez do email, acrescentando haver estudos que referem que inquéritos em que se pede o endereço de email há uma maior taxa de pessoas que não enviam os dados.
De seguida, contrapus:
Sábado, 21 Novembro 2009, 02:34
De facto parece que a utilização do email como recurso para solicitar a participação em questionários não será a melhor escolha...
Por outro lado, no artigo cuja referência o Joaquim faz em cima na sua participação de 19 Novembro (22:15) - Zhang (Zhang, Y. (1999). Using the Internet for Survey Research: A Case Study, o autor escreve:
Mailing lists and newsgroups can be used efficiently to reach potential respondents because their subscribers usually share common interests or concerns. In most previous studies, questionnaires were sent to multiple mailing lists and/or newsgroups that were most likely to include the target individuals.
E isso fez-me lembrar que durante o curso já respondi a dois questionários, um por sugestão de um dos professores de uma uc do 1º semestre e outro por solicitação de um 'amigo' no facebook. A questão que me coloco é: será que se os questionários me tivessem chegado por mail eu não responderia?
Outra que entretanto por surgiu agora é: serão as redes sociais um recurso a ter em conta para a aplicação de questionários online?
Outra questão ainda que me tenho colocado, depois de ter lido a participação da Sandra Brás de 18 Novembro 2009, a propósito do trabalho que Paula Flores está a desenvolver no campo das TIC na Educação, e da opção por fazer o inquérito em papel, porque na altura os professores estariam muito ocupados, leva-me a perguntar se não teria sido preferível, então, ter aplicado o inquérito noutra altura, já que a investigação está a ser desenvolvida no campo das TIC.
E continuo sem conseguir dar uma resposta definitiva ao primeiro ponto de discussão: 1) o e-investigador utiliza questionários endereçados pelo correio? Entregues para preenchimento presencial? grande sorriso 
De novo, o Joaquim Lopes interveio, esclarecendo um ponto que na minha anterior participação estaria menos claro e que se prendia com o facto do e-mail ser usado apenas para convidar as pessoas a participar. Em relação à minha dúvida, manifestada no último parágrafo, escreveu o seguinte: eu arrisco dizer que não faz sentido um e-investigador utilizar questionários pelo correio para serem preenchidos presencialmente, referindo que desta forma estaríamos a responder à primeira questão colocada pela professora.
Na sequência destas intervenção, levantei, então, outra questão que se prendia com o domínio das TIC:
Terça, 24 Novembro 2009, 00:44
(...)E aqui eu ouso levantar ainda outra questão. Vamos imaginar que os dados que sejam solicitados num determinado inquérito que pretende recolher dados sobre a utilização do mail como forma institucional de comunicação numa escola é entregue em papel. Nesse questionário, uma das questões é: Tem e-mail? Outra é: costuma usar?
Agora imagina esta situação: uma pessoa tem e-mail, mas não usa directamente, isto é, alguém, por si, que não está no mesmo espaço geográfico, abre o e-mail, imprime as várias mensagens e envia-a por correio (CTT) para a primeira pessoa.
Ora, se essa primeira pessoa respondesse ao inquérito em suporte papel iria, provavelmente, responder que tinha conta e que usava. O que é certo é que apesar de ter conta não usava. Logo, se o inquérito fosse enviado por mail para ser devolvido por mail ou respondido numa aplicação online, não participaria.
Esta parece uma situação absurda, mas garanto que não se trata de ficção. sorriso
Portanto, como prevenir situações destas? Ou, enquanto e-investigadores, deveremos limitar-nos aos utilizadores da web nas nossas pesquisas?
Uma vez mais, o Joaquim Lopes, interagiu comigo e apontou, como resposta à minha última questão a listagem das  mais óbvias manifestações de e-pesquisa, de acordo com Anderson e Kanuka (2003).
Ainda assim, não fiquei satisfeita e insisti:
Quarta, 25 Novembro 2009, 19:51
(...)A minha questão não se prende com as vantagens e desvantagens, mas sim em saber se, enquanto e-investigadores devemos ter como universo apenas os utilizadores da web.
Concretizando: nós estamos a fazer um curso de mestrado em e-learning e iremos apresentar uma tese, caso optemos por usar, por exemplo, o questionário para recolha de dados, deveremos usar para amostra apenas os utilizadores da web, usando, por isso, questionários online, ou mesmo usando utilizadores da web, devemos usar questionários em papel?
Isto é, para além de aqui iterarmos as vantagens e desvantagens da utilização o que eu pretendia discutir e tentar encontrar uma solução sobre qual o procedimento mais adequado, atendendo ao facto de estarmos a fazer um curso online e estarmos precisamente a discutir esse assunto.
É um facto que estamos a falar da utilização da Internet e parece que será para todos óbvia a utilização de questionários online. No entanto, na prática, temos, no caso da tese que analisámos e cuja temática era, precisamente, a utilização da internet no processo de construção de conhecimento, um questionário em suporte papel que foi distribuído. Não é justificada , pela autora, a razão pela qual não se usou e-questionários. E temos, ainda, o caso apontado pelos José Carlos, Mónica, Paulo e Sandra da investigadora que optou pelo suporte papel por uma questão de calendário escolar.
Portanto, devemos ou não, para recolha de dados, usar o e-questionário, sendo e-investigadores. Era isto que eu estava a querer discutir.
Ainda nesta raiz da discussão sobre métodos e técnicas quantitativas de recolha de dados me referi às ferramentas que se podem usar, na situação de e-questionários:
Sábado, 21 Novembro 2009, 02:52
Bem, de todas as sugestões de ferramentas que até foram dadas pelos colegas, a única que já explorei é a do Googledoc, formulários, referida pela Sandra e seria aquela que iria sugerir. Concordo com o que foi escrito pela Sandra em nome do grupo: Permite investigador criar máscaras de introdução de dados de forma simples e intuitiva (...) 
Enquanto investigadora ainda não usei, mas como professora estou a fazer um questionário que pretende substituir aquele que até aqui usava em suporte papel para avaliação das aulas e que era distribuído aos alunos no final do ano. Por isso, como ainda não apliquei não sei se me será tão fácil a análise de dados como a sua construção. 
Em síntese, parece-me que este foi um dos pontos altos das discussões em Fórum desta uc. As duas raízes da discussão sobre o tema obtiveram um total de 60 respostas. Pessoalmente gostei bastante de participar na discussão.

Discussão sobre métodos e técnicas quantitativas de recolha de dados - Parte I

O Fórum para discutir a Recolha de dados quantitativos, foi dividido em duas raízes:
- e-questionários;
- Análise da dissertação com a utilização do questionário: Alves, A. (2007). E-Portefólio: Um estudo de caso, disponível em   repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/7178.
O Fórum foi aberto a 16 de Novembro de 2009 e fiz a minha primeira intervenção na raiz da discussão sobre a análise da dissertação com a utilização do questionário. Na abertura do tema a Professor recordou-nos aquelas que deveriam ter sido as questões orientadoras da análise e que constavam das orientações para o desenvolvimento da actividade:
  • A autora apresenta claramente os objectivos de investigação que presidiram à elaboração do questionário?
  • Na dissertação apresentada há indicação dos passos que estiveram subjacentes à construção do questionário?
  • A amostra é claramente identificada?
  • É indicado o método usado na definição da amostra?
  • O questionário usado foi objecto de validação prévia?
  • Na explicitação da metodologia usada há indicações sobre o modo de tratamento dos dados obtidos com a aplicação do questionário?
Transcrevo, de seguida, a minha intervenção:
Terça, 17 Novembro 2009, 01:50
Deixo aqui o resultado da minha análise, face às questões colocadas e que também já tive oportunidade de partilhar com os meus colegas de equipa.
Em relação à primeira questão colocada, a referência ao uso dos questionários é muito lapidar, sendo, sucintamente, descritos como: constituídos por perguntas fechadas e por questões de escolha múltipla, pretendendo-se que satisfizessem os objectivos propostos. (4. Instrumentalização, pág. 66). Não encontrei no documento qualquer referência aos passos que estiveram subjacentes à construção do questionário.
Quanto à amostra, a mesma é identificada, mas não me parece que seja claramente identificada. Há questões que ficam por descrever e que poderiam ser dados importantes para garantir a importância do estudo. Ainda em relação ao método usado na definição da amostra, creio que, indirectamente, o mesmo é identificado, quando a autora apresenta no ponto 6., pág. 66, os critérios que estiveram subjacentes as escolas onde os questionários foram aplicados. Quanto a mim enquadram-se num método de amostragem por conveniência (Hill, 2008).
Quanto à validação do questionário, de acordo com o ponto 5. o mesmo foi validado. Mas é apenas feita uma síntese do processo, não sendo por exemplo explicado por que razão a redacção das questões teve de ser reformulada e acrescentada uma delas. Faltando ainda especificar de que questionário se tratava, uma vez que existem dois questionários: um para alunos e outro para professores.
Existem indicações sobre o modo como de tratamento dos dados obtidos. Isto é, a autora indica, na página 67 o programa usado de computador usado para a análise estatística, referindo que os resultados foram apresentados na sua perspectiva percentual, sempre que tinha sido considerado útil. Não me parece pela leitura que fiz de Cohen et ali que estas indicações sejam suficientes para descrever o processamento dos dados resultantes de questionários.

Tendo sido alargado o tempo para discussão deste tema, fiz, a 25 de Novembro outra intervenção nesta raiz da discussão que intitulei: "O universo alvo".

Há, nesta tese, uma questão que me tem feito reflectir e sobre a qual só agora decidi escrever, porque não sei se se enquadra na temática da discussão. Uma vez que não responde, directamente, a nenhuma das questões, mas que se prende com a minha própria interpretação, quer da própria tese, quer, particularmente, das questões que foram feitas no questionário.
E, porque o prazo para podermos participar foi alargado, achei que devia aproveitar esse tempo.
A intenção do estudo de acordo com a autora é: contribuir para uma reflexão sobre as potencialidades educativas da Internet, ou seja, pensar a sua utilização numa vertente pedagógica. A tecnologia por si só não desempenha uma função catalítica. É a utilização que dela se faz que pode favorecer o processo de construção do conhecimento por parte do sujeito que aprende.
Este trabalho tem como objectivos verificar a representação que professores e alunos têm acerca da Internet, bem como caracterizar a utilização que fazem deste meio de aceder à informação. Julgo que poderemos considerar que, por isso, o Universo alvo será a Escola, enquanto instituição.
Ora, a minha questão é: se o objectivo é contribuir para uma reflexão sobre as potencialidades educativas da Internet, ou seja, pensar a sua utilização numa vertente pedagógica, se o inquérito foi distribuído em Escolas, por que razão não se tentou saber quantos computadores com ligação à net estão disponíveis, na Escola, para uso de professores e alunos? A questão é aflorada em ambos os questionários, quando se pretende saber das razões pelas quais não é frequente o uso da internet, mas o inquérito inicia, em ambos os casos, por querer saber se alunos e professores possuem computador com ligação à internet em casa.
Logo, fará sentido ter restringido o inquérito ao universo da Escola?

Neste ponto da discussão, sobre a recolha de dados, as nossas participações resultaram, de uma forma geral, na apresentação da análise, individual ou em equipa, efectuada a propósito da tese.